ENTREVISTA COM VINICIUS FARAH

De Prefeito a ‘Deputado das Cidades’

Três Rios - (Política) - Sábado, 14 de Setembro de 2019.

ENTREVISTA COM VINICIUS FARAH

Daniella Falcão, Especial para Entre-Rios Jornal

BRASÍLIA - Voltar à vida de parlamentar depois de muitos anos ocupando cargos executivos tem sido um aprendizado e tanto para o deputado federal Vinicius Farah (MDB-RJ), que assumiu em fevereiro deste ano a sua cadeira na Câmara. A única experiência anterior de Vinícius como parlamentar foi breve, há mais de 30 anos, como vereador de Três Rios. Depois disso, virou secretário municipal de Governo e de Esportes,vice-prefeito(2005/2008) e duas vezes prefeito de Três Rios(2009/2019), reeleito com 84% dos votos válidos da cidade. A presidência do Detran foi o último posto executivo pelo qual passou, onde ficou 14 meses. (fevereiro de 2017-abril de 2018).
Nesta entrevista, dada em seu gabinete em Brasília, Vinicius conta como a longa passagem pelo Executivo o ajuda hoje no trabalho Legislativo. Muito procurado pelos prefeitos nas suas habituais peregrinações na capital federal, Viníciusjá conseguiu aprovar mais de 25 milhões de reais para diversos municípios. É autor de 42 projetos de lei e seu sonhoé ser reconhecido como “o deputado das cidades”. “A vida das pessoas está nas cidades, nos bairros, nas ruas. Os municípios precisam ser fortalecidos”, defende.
Sobre a sua possível mudança para o DEM e sua candidatura em 2020 para voltar a ser prefeito de Três Rios, ele desconversa.Só após muita insistência da reportagem, ele admite que, sim, sente falta da caneta, símbolo máximo do Poder Executivo. Confira o que ele disse nesta entrevista feita especialmente para o Entre-Rios Jornal , diretamente de Brasília.
Deputado, como estão sendo esses nove meses de Câmara para um politico que passou 30 anos no Executivo, com o poder da caneta na mão?
Tem sido de muito aprendizado, mas também de muito trabalho. Apresentei mais de 40 projetos de lei, virei membro de quatro comissões, incluindo a vice-presidência de uma das mais importantes comissões do Congresso, a de Finanças e Tributação, que terá um papel importante agora na Reforma Tributária... Sou também membro titular do Parlatino (Parlamento das Américas) e do Parlamento da América do Sul, o que está me abrindo um horizonte no campo das relações internacionais que eu não tinha... Estou achando uma experiência muito boa.



Sente falta do poder da caneta na mão?
O tempo do Legislativo é diferente do Executivo. Até porque, numa democracia, todos os lados se manifestam, discutem, e o Brasil é continental, com uma diversidade cultural enorme e realidades regionaismuito diferentes. O cara do Sul não pensa como o do Norte, que é diferente do cara do Centro-Oeste, do Nordeste, do Sudeste. Ao mesmo tempo, isso é de uma riqueza sem igual. Sou, sobretudo,um democrata. Até porque, como disse o (Winston)Churchill (ex-primeiro-ministro inglês que conduziu a Inglaterra na 2ª Guerra Mundial),“a democracia é o pior sistema politico do mundo – com exceção de todos os outros” (risos).A política é uma arte. Não produz consensos porque isso é impossível, mas é capaz de construir maiorias quando há dissenso. O deputado Rodrigo Maia (presidente da Câmara, do DEM-RJ) é um craque nessa arte, é hoje sem sombra de dúvidas a maior liderança política d Paíse tem sido um grande professor para mim, pato novo no Congresso que sou. Falo pouco, observo muito, e trabalho sem parar. Tem sido uma escola.
Em falar em Rodrigo Maia, saiu uma nota na coluna da jornalista Berenice Seara, do jornal Extra, dizendo que ele está levando o senhor para o DEM e que seu plano é ser candidato a prefeito de Três Rios ano que vem. Verdade?
Eu acho que na vida a gente tem que ter foco. Viver o presente. Eu acabo de completar nove de meses de Câmara, mas, como a gente dizia há pouco, o tempo do legislativo é outro. A criança ainda não nasceu! Ainda tem muita entrega para fazer! É verdade que muita gente me aborda na rua e pede pra eu voltar pra prefeitura, e isso muito me orgulha, claro, saber que há essa confiança em mim, uma lembrança positiva da nossa gestão. Pra mim isso é um reconhecimento inequívoco de que fizemos um bom trabalho. Mas minha prioridade hoje, neste momento, é o meu mandato. Tenho que entregar para a população o que verdadeiramente transforma as suas vidas, melhorando as suas respectivas cidades. Eu sonho em ser reconhecido como “o deputado das cidades”, o cara que ajuda a levar as melhorias que o povo precisa, lá no município dele,lá no bairro dele, na ruaonde ele mora, porque é lá, e não em Brasília, onde está a vida real das pessoas.
O senhor acha que haverá na eleição a mesma guerra direita contra esquerda que se viu em 2018?
Acho que eleição de prefeito o povo presta mais atenção na questão da competência administrativa. Porque o prefeito é o cara que vai cuidar ali da porta da sua casa. O povo não quer saber se o cara varre a rua com a mão esquerda ou com a mão direita. Ele quer é a rua varrida! O povo quer ver geração deemprego, saúde, educação, segurança, transporte e moradia digna. O resto é blá, blá,blá.

Como a sua experiência no Executivo ajuda no seu mandato como deputado?
Ajuda muito, justamente porque me faz ter muita noção das dificuldades do dia a dia das prefeituras para resolver os reais problemas da população. Toda a semana vem um monte de prefeito em Brasília bater na porta dos gabinetes pedindo emendas para fazer obras; para levar no ministro, para abrir portassem Brasília. Eu olho pra eles e me vejoali. Outro dia eu estava ali fazendo a mesma coisa! E sei que não é moleza, é muita quebração de pedra, a turma não tem noção. Por isso, dou toda a atenção. Trato bem. Abro portas onde posso e graças e a Deus tenho muitas portas abertas.Já destinei até o momento mais de R$ 25 milhões em emendas para obras para os municípios: Três Rios, Areal, Paraíba do Sul, Comendador Levy Gasparian, Sapucaia, Petrópolis, Macuco, Paty do Alferes, São José do Vale do Rio Preto, Volta Redonda, Rio das Flores. Pra Três Rios, mandei quase 10 milhões de reais para as áreas de Saúde (UPA e hospital), Educação e obras diversas. O trabalho não para.
Dos seus 42 projetos, quais o senhor destaca?
Já avançou bem a tramitação de um projeto meu que destina 0,5% dos prêmios da Megasena para as Apaes do Brasil,já foi aprovado em duas comissões, o que é um milagre para um deputado de primeiro mandato. Esse é o meu projeto do coração. As Apaes vivem praticamente de doações e fazem um trabalho extraordinário com pessoas portadoras de deficiência. Quase 8% da população brasileira tem alguma deficiência, segundo o IBGE. É muita coisa! E eu tenho forte ligação com essa área; o Planeta Vida é um dos projetos que construí e que mais me orgulha nessa vida.Por isso, pedi para ser membro titular da Comissão de Defesa da Pessoa com Deficiência, por onde passam todos os projetos do Brasil relacionados a esse tema. Tem uma coerência eu estar nas comissões que estou. Virei vice-presidente da Comissão de Tributação também por conta da minha trajetóriade vida, por eu ter feito uma revolução industrial em Três Rios quando fui prefeito, quando foram levadas ou abertas naquele período 2.472 novas empresas, gerando 13 mil empregos diretos, o que me levou a ganhar cinco vezes o prêmio Prefeito Empreendedor do Sabrae. Essas experiências são como bagagens, que a gente carrega na nossa trajetória de vida.
Vou voltar à pergunta anterior que o senhor não respondeu: o senhor sente ou não falta da caneta de prefeito?
Verdade, eu não havia respondido à sua pergunta. Não tenho como negar que sinto falta da velocidade das decisões que a gente tem condições de tomar quando está no Executivo, com a caneta na mão, como você diz. Dependendo de quem a empunha, a caneta pode mudar para melhor ou pior a vida das pessoas, levantar ou destruir uma cidade. Eu acho que fiz bom uso dela. É ótimo ter a caneta da mão, mas também uma enorme responsabilidade.

Por Assessoria de Imprensa

Crédito da Foto: Divulgação/ Assessoria

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