Escrevi um livro... O que devo fazer agora?

Confira tudo sobre o Dia Mundial do Livro, os direitos do autor e como registrar uma obra literária

País - (Educação) - Sábado, 27 de Abril de 2019.

Escrevi um livro... O que devo fazer agora?

Escrever um livro não é a parte mais difícil para quem deseja entrar no mercado editorial. É com essa verdade crua que abrimos essa “narrativa”. Há diversos obstáculos, antes mesmo do escritor tentar ingressar no universo editorial, seja qual for seu estilo literário.
Conheça a origem do Dia Mundial do Livro e também do Dia do Direito do Autor, datas celebradas anualmente no dia 23 de abril.

Sobre o Dia Mundial do Livro e o do Direito do Autor
Comemora-se por essa data três dos maiores escritores de todos os tempos: o nascimento (1564) e a morte (1616) de William Shakespeare; a morte em 1616 de Miguel de Cervantes e o nascimento, em 1899, de Vladimir Nabokov.
A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) escolheu essa data para instituir o Dia Mundial do Livro, em 1995. Sem dúvida uma data importante para a literatura mundial.
A data serve ainda para chamar a atenção para a importância do livro e também para o direito do autor.

O que são Direitos do Autor?
Os Direitos do Autor são uma forma de proteção de obras originais com autoria, incluindo as criações literárias. Ocorre uma violação dos direitos do autor quando um trabalho é reproduzido, distribuído, exibido, mostrado publicamente ou transformado num trabalho derivado sem a permissão de quem o escreveu.
Extinção dos Direitos de Autor
Segundo normas e recomendações internacionais aceitas pela maioria dos países, incluindo Portugal, uma obra literária entra em domínio público 70 anos após o ano subsequente ao do falecimento do autor.
Essa matéria é regulada em Portugal pelo Código dos Direitos de Autor e dos Direitos Conexos e pelo Decretos-Lei seguintes: Decreto-Lei n.º 63/85, de 14 de Março, com as alterações feitas pela Lei n.º 45/85, de 17 de Setembro, pela Lei n.º 114/91, de 3 de Setembro, pelo Decreto-Lei n.º 332/97, de 27 de Novembro, e pelo Decreto-Lei n.º 334/97, de 27 de Novembro.
Quando uma obra caduca nos seus direitos autorais, de acordo com a proteção prevista na lei do país de origem, a sua extinção é válida universalmente. No entanto, o mesmo não ocorre com a tradução das obras de direitos autorais extintos, cujo trabalho de transposição de uma língua para outra a lei também concede proteção autoral.
Também pode ocorrer que o autor de uma obra decida prescindir, ainda em vida, dos direitos autorais das suas obras ou de determinada obra.
Quando os direitos autorais de uma obra literária extinguem-se ou deixam-se de aplicar, esta entra em "domínio público".

Obras em domínio público
Um livro de domínio público é aquele que já não está abrangido pelo direito de autor. Pode ser um romance como Moby-Dick, de Herman Melville (publicado pela primeira vez em 1851), uma obra antiga como as observações de Aristóteles sobre abelhas ou qualquer um dos milhares de trabalhos acadêmicos, práticos e de entretenimento escritos desde os tempos das lousas e dos pergaminhos.
Uma obra em Domínio Público significa que esta pode ser copiada, difundida, adaptada, traduzida livremente (e esta tradução pode ser vendida ao abrigo de leis autorais) ou usada em parte ou em todo para outras obras. Usar os Lusíadas para fazer uma música hip-hop, é um exemplo.
Em Portugal, qualquer obra de autores que tenham morrido antes de 1941, encontram-se atualmente em Domínio Público.
Fonte: www.luso-livros.net/

Por que é importante registrar um original na Biblioteca Nacional? Como ocorre o registro?
O EDA (Escritório de Direitos Autorais) é um serviço concebido pela Biblioteca Nacional que permite o reconhecimento da autoria de uma obra, que dessa forma protege o autor de ser plagiado. Ao registrar o livro na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, a obra estará segura, ninguém poderá copiá-la ou vendê-la sem a sua autoria e permissão.
Abaixo há alguns tópicos para saber como funciona esse processo:
• Antes de registrar mostre a obra a alguém de sua confiança.
É recomendável uma leitura crítica antes do registro para evitar grandes mudanças no conteúdo da história e não precisar registrar novamente. Se necessário, antes de registrar é preferível procurar um revisor profissional.
• Na capa, escreva o nome da obra e os dados de identificação do autor (RG, CPF, data de nascimento e cidade).
Não existe uma formatação padrão para o texto a ser enviado, mas recomenda-se utilizar no editor de texto as fontes Arial ou Times New Roman no corpo 12.
• Enumere todas as páginas no rodapé das folhas e imprima a sua obra em via única.
Impressões em frente e verso não serão aceitas. Não grampeie, nem encaderne.
• Rubrique todas as páginas.
Exatamente isso. Todas as folhas devem ser devidamente rubricadas.
• Pague o GRU (Guia de Recolhimento da União).
Para registrar um livro, é necessário pagar uma taxa de registro com o valor de R$ 20,00 (vinte reais). O boleto pode ser gerado pelo link: http://arquivo.bn.br/portal/index.jsp?nu_pagina=69
• Guarde o comprovante de pagamento.
Após conseguir o comprovante, este deve ser enviado para a Biblioteca Nacional, grampeado na guia já paga.
• Preencha o requerimento de registro ou averbação.
Este requerimento é um formulário sobre a obra a ser registrada e deverá ser enviado à Biblioteca Nacional junto aos demais documentos. Também existe a possibilidade de o próprio autor levar a obra pessoalmente até a Biblioteca Nacional.
• Envie a obra junto aos documentos necessários (listados abaixo) para a biblioteca nacional.
Existem três formas de envio: via correios, pessoalmente na sede do EDA (localizada no Rio de Janeiro) ou pessoalmente nos postos Estaduais do EDA. Existem duas grandes vantagens de entregar pessoalmente: a resposta instantânea caso haja algum problema com os documentos, evitando meses de espera à toa, e o recibo de entrega dos documentos, que poderá servir como um comprovante de registro, permitindo ao autor o envio da obra para as editoras sem a necessidade de esperar pelo "Certificado de Registro ou Averbação". Caso não haja imprevistos, o autor receberá pelo correio o certificado em até 90 dias.
Caso envie por Sedex ou Carta Registrada, o endereço é:
Escritório de Direitos Autorais (EDA)
Centro Empresarial Cidade Nova – Teleporto
Av. Presidente Vargas, 3131, sala 702
Cidade Nova – Rio de Janeiro, RJ
CEP: 20210-911
Os documentos necessários para enviar à Biblioteca Nacional:
• A obra impressa já rubricada;
• Comprovante de pagamento do GRU com a guia já paga;
• Requerimento de Registro ou Averbação;
• Cópia do RG e CPF;
• Comprovante de Residência (contas de água, luz ou telefone).
Caso tenha qualquer dúvida sobre o processo de registro acesse: www.bn.br/servicos/direitos-autorais
Após ter o comprovante do registro, vamos falar sobre formas de publicação. Existem várias formas, desde os tradicionais impressos publicados pessoalmente até hospedagem do material digital através de plataformas como a Amazon Kindle.
Abaixo confira algumas informações sobre:

Como funciona publicar por conta própria?
A ideia é o autor ter de preparar tudo, desde montar suas estratégias para sair do fator “autor desconhecido”, até trabalhar com o marketing pessoal e assim vender a obra, seja como e-book ou livro físico.
A vantagem é ter controle total sobre a obra, o que diz respeito a capa, edição, revisor, escolha da sinopse, diagramação e etc. Ainda que custeie tudo é uma mão na roda saber ao menos o básico sobre cada setor.
Por mais que vivamos na nova era da internet, onde as distâncias foram consideravelmente reduzidas, a maior dificuldade de nove a cada 10 autores é ganhar a atenção em meio a tantos autores no país a fora. Pense bem, todos os dias são publicados livros. Como o seu será o destaque?
Essa dificuldade não está apenas em autores iniciantes, está nas grandes editoras também. A competição para receber a atenção.
Pode ser difícil, mas sabendo como funciona o mundo editorial literário é possível sair na frente. Ter contatos é mais que bem vindo. E os lucros são praticamente todo seu.

Book Proposal?
Já ouviu falar de Book Proposal? O Book Proposal funciona como uma forma de apresentação do autor e da obra para um editor e/ou editora. Uma forma de ganhar em poucos minutos o interesse de quem tem o poder de te publicar. Como já foi dito acima existe a possibilidade da auto publicação, mas se o caminho que quer optar é esse, sugiro que faça um Book Porposal.
Um texto que pode ser anexado ao e-mail de envio do original, inserido na primeira página do próprio original ou digitado no corpo do e-mail, esse é o Book Proposal. Primordialmente, ela deve conter uma descrição do livro boa o suficiente para despertar a curiosidade do editor ou de seu assistente.
Aqui não preciso nem dizer a importância de escrever corretamente, ser conciso e lembrar que você é um escritor e sua principal função é fazer com que os leitores acreditem e amem aquilo que você escreve.
Abaixo está o caminho das pedras para escrevê-lo, mas toda criatividade utilizada de forma correta é um bônus:
• Título do Livro
A primeira informação que deve ter em seu Book Proposal é o título de sua obra. Caso seja uma trilogia ou série diga o nome do título desse primeiro livro e depois o nome das crônicas e o número que prevê para conclusão.
• Minicurrículo do Autor
Nesse espaço deve ser mencionado sua formação profissional e destacando suas realizações literárias, tais como: publicações solo e/ou em sites, revistas e coletâneas, participação em eventos literários, premiações etc.
• Sinopse
Uma boa sinopse deve ser clara e objetiva e descrever em poucas linhas o conflito central da sua narrativa. Para melhor destacamento sugiro até que use Longline, essa ferramenta resume sua obra em apenas duas linhas. Grandes editoras internacionais pedem ela muito antes de um Book Proposal, está aí sua chance de mostrar que sabe das regras do jogo.
Acesse o site abaixo para saber como funciona a LongLine:
www.lifeformz.com/cgi-bin/idea/idea.fcgi
• Justificativa
Como o nome sugere você deverá justificar o seu projeto e elencar os motivos pelos quais o editor deve investir nele, publicando o seu livro e não o do seu vizinho. Lembre-se sempre de que a editora é uma empresa como qualquer outra e não uma instituição filantrópica. Por mais duro que isso possa parecer, o editor não está preocupado em realizar o seu sonho, mas sim em saber se ooriginal que está recebendo é coerente com o catálogo dele e se sua publicação pode ou não gerar um retorno financeiro proporcional ao investimento que ele vai realizar.
• Dados Técnicos
Dentro desse espaço deve conter: Número de laudas, Número de capítulos, Número de Caracteres (sem espaços), Número de Caracteres (com espaços), Formato (o livro é um romance? Uma novela? Uma coletânea de contos?), Gênero (A narrativa tem um gênero específico? É um livro policial? De fantasia?), público-alvo e faixa etária.
Caso tenha dificuldades em montar essa apresentação sugiro que dê uma olhada no site abaixo. O site Carreira Literária possibilita gratuitamente que seja baixado um arquivo contendo um modelo de um Book Proposal:
https://carreiraliteraria.klickpages.com.br/bookproposal

A realidade sobre ser escritor no Brasil
De acordo com a Pesquisa Retratos da Leitura, 30% dos brasileiros nunca comprou um livro, e 44% da população não tem o hábito da leitura dentro do seu cotidiano. Os dados relacionados à educação preocupam.
Nessa análise de 5.012 pessoas, com ou sem níveis de alfabetização, a pesquisa considerou leitor quem leu, inteiro ou até em partes, pelo menos 1 livro nos últimos 3 meses. O não-leitor, quem não leu nenhum livro ou sequer parte no mesmo período de tempo.
Sem o incentivo do hábito de leitura e da compra de livros, sejam brasileiros ou não, a produção fica cada vez mais sem ter um destino, e dessa forma, sem conseguir lucro.
Os dados estão relacionados não apenas à falta de leitura no país, como também refletem o grave problema educacional brasileiro. Não existe uma “cultura” de leitura. Poucas pessoas leem livros de forma não-obrigatória, algumas nunca mesmo entraram em uma biblioteca, que dirá então uma leitura despreocupada, para se inserir no mundo e buscar conhecimentos diversos.
Nos estudos realizados pela agência NOP World para medir hábitos de leitura em 30 países, o Brasil ficou em 27° lugar no ranking de consumo. A pesquisa revelou que o brasileiro gasta apenas 5 horas e 12 minutos por semana para a leitura de livros. O país que ocupou a primeira posição foi a Índia, com uma média de 10 horas e 42 minutos.
O Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) publicou uma pesquisa curiosa, e ao mesmo tempo, reveladora. R$ 25,18 milhões de reais, capital financeiro que está movimentando o setor literário no país, vem de uma editoria específica: livros de colorir. A febre do momento, os livros apresentam figuras e estampas para serem pintadas, e de fato, não apresenta nenhuma ligação com o campo literário das linguagens.
Em âmbito geral as pessoas estão disponibilizando tempo menos com literatura (seja física e digital) e cada vez mais com redes sociais e associados. O Brasil ocupa, então, a 9° colocação da pesquisa da agência NOP World sobre o consumo de internet. O brasileiro gasta, em média, 10 horas e 30 minutos navegando pela rede.
Com um baixo consumo de livros, e por conseguinte, uma baixa venda, como escritores conseguem se manter? Profissionais com formação, como a faculdade de letras, precisam, muitas vezes, apostar em carreiras paralelas para manter a renda.
É preciso investir não apenas na produção literária, como também em leitura. Segundo o presidente do Instituto Pró-Livro (IPL) Marcos da Veiga Pereira, pela Agência Brasil, existe a necessidade da inserção literária dentro das escolas, desde o ensino básico. “Na escola, você tem que ter um investimento no professor, na biblioteca escolar e no mediador de leitura. A gente precisa trazer esses programas, como o convívio com os autores”. De acordo com ele, é importante desenvolver uma perspectiva de construção dos hábitos literários junto com entidades do setor privado, organizações não-governamentais e o Poder Público.
Fonte: Retratos da Leitura e Gestão Universitária

Por Zeca Lima

Crédito da Foto: Shutterstock.com

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