Independência ou morte!

Conheça o surgimento dos desfiles de 7 de Setembro e a história do ato cívico na região

País - (Cultura) - Sábado, 07 de Setembro de 2019.

Independência ou morte!

Dia Sete de Setembro de 1822, dia da Independência do Brasil, data em que, às margens do rio Ipiranga, D. Pedro I deu o famoso grito: “Independência ou morte!”.
No Brasil, o dia Sete de Setembro foi transformado em feriado nacional e é celebrado com desfiles por todo o território nacional. O desfile de sete de setembro era obrigatório. A população prestigiava em peso, margeando todas as avenidas pelo país, para ver os tradicionais desfiles.
Como rege o costume, neste sábado (7) o povo brasileiro demonstra o amor à pátria através do desfile de Sete de Setembro. Alunos e militares marcham para autoridades e para a população em geral, em um ato de patriotismo, fazendo alusão ao momento da Independência do Brasil.
Em Três Rios, o primeiro desfile, na época militar, aconteceu em 1935, quando o então distrito de Paraíba do Sul se chamava Entre-Rios. A marcha foi organizada pelo Sargento Teclo Gonçalves Maia, comandante do Tiro 349. A partir de 1951, as escolas passaram a se reunir para apresentação em homenagem à Independência do Brasil, o que acontece até hoje, sendo que algumas interrupções ocorreram com o passar dos anos. Em 1957, devido à recomendação do secretário de Educação e Cultura do Estado, motivada pela necessidade de medidas preventivas contra a gripe asiática, foram cancelados os desfiles cívicos em todo o estado do Rio de Janeiro. De 1997 e 1999 também não houve desfile, somente a comemoração.
No início, os desfiles aconteciam em torno da Praça da Autonomia e as autoridades ficavam no Coreto vendo as escolas passarem, além de discursarem. E assim foi até a década de 1970. Naquela época os desfiles eram longos. O Colégio Entre-Rios, por exemplo, saía da Rua Barão de Entre-Rios, passava pela Avenida Condessa do Rio Novo, Rua XV de Novembro, pela Praça da Autonomia e retornava ao colégio.
A Escola Profissional Jorge Franco, que preparava alunos para trabalhar na Rede Ferroviária, era muito aguardada pelas pessoas que assistiam aos desfiles por apresentar uma cadência de exército, na velocidade da batida da banda, que era bem rápida. O Patronato de Menores de Bemposta, colégio interno só para meninos, que também desfilava da mesma forma, chegava a emocionar a quem os via passar pela avenida.
Depois, os desfiles mudaram de endereço e ficaram por certo tempo na Avenida Prefeito Alberto Lavinas (Beira Rio), indo para a Praça São Sebastião, local onde permanece até hoje.
Com o crescimento do número de instituições de ensino e alunos, 18 escolas ao todo marcarão presença no desfile de 2019, além da Guarda Municipal, Banda 1° de Maio, Corpo de Bombeiros, Planeta Vida, Apae e banda ENEA.
Este ano a banda Eu Não Espero Acontecer (ENEA), em parceria com o Instituto de Educação Professor Joel Monerat, leva para Três Rios uma marcha composta por 40 músicos e blocos com alunos da musicalização infantil em parceria com a Igreja Evangélica Assembleia de Deus e a Igreja Cristã Renovada, do Ponto Azul. No outro bloco, os alunos de cordas e teclas. Os desfiles da banda acontecem no centro de Três Rios, no sábado (7), e no domingo (8) em São José do Vale do Rio Preto.

Desfile de 7 de setembro em 1947

Na sexta-feira (7), será comemorado o 197º aniversário da independência do Brasil de Portugal, data declarada em 1822. As comemorações do Dia da Pátria tiveram início no século 19, de acordo com informações do Arquivo Histórico do Exército.
Em 1947, o presidente norte-americano Harry Truman esteve no Brasil e acompanhou o desfile de 7 de setembro ao lado do presidente Eurico Gaspar Dutra, no Rio de Janeiro.
Naquela época, o principal desfile ocorria em nosso estado, na cidade do Rio de Janeiro, então capital do país. Depois, com a criação de Brasília, passou a ser realizado no Eixo Rodoviário e, em seguida, no Setor Militar Urbano. Em 2003, a parada cívico-militar foi transferida para a Esplanada dos Ministérios, local onde ocorre atualmente.

Cultura militar

Todos os anos, milhares de pessoas observam com curiosidade as tradições militares no desfile de 7 de setembro.
A história de organizações militares mais antigas entrelaça-se com o contexto da vinda da Corte Portuguesa para o Brasil, em 1808, e com importantes momentos da biografia do país.
O 32º Grupo de Artilharia de Campanha, grupo D. Pedro I, é uma organização militar situada em Brasília. A unidade é responsável por manter as tradições históricas do país, do Exército e da artilharia brasileira.
A organização militar possui relação com o passado por ser herdeira do Corpo de Artilharia Montada da Corte, primeira unidade de artilharia do Exército brasileiro. Criada pelo príncipe regente, em 1809, atuou em conjunto com o Regimento de Cavalaria de Guardas e o Batalhão da Guarda Presidencial nas batalhas para consolidação da independência.
Antes denominadas 1° Bateria Independente de Canhões Automáticos e sediada no Rio de Janeiro, a unidade militar foi transferida para Brasília em 1960. Em janeiro de 1974, transformou-se em 32º Grupo de Artilharia de Campanha (32º GAC). Após cinco anos, essa unidade foi escolhida para abrigar as tradições do Corpo de Artilharia da Corte.
Na Bateria de Cerimonial Caiena, subunidade do 32º GAC, são preservados uniformes históricos e a seção composta por cavalos que podem pesar quase uma tonelada.
Os animais das raças Percheron e Bretão são os responsáveis por tracionar objetos como uma cozinha histórica de campanha. “Todas essas tradições nós herdamos e hoje estão representadas pela Bateria Caiena no desfile de 7 de setembro”, destaca o coronel Lúcio Anderson de Azevedo Rocha, comandante da unidade militar.
Localizado no Setor Militar Urbano, o 32º GAC tem a atribuição de formar oficiais temporários de artilharia e de intendência e oficiais técnicos temporários. O grupo também forma militares para o apoio de fogo à 3ª Brigada de Infantaria Motorizada e conta com a participação de militares responsáveis por manter a Garantia da Lei e da Ordem (GLO), caso o 32º GAC seja acionado pela Presidência da República.

Regimento de Cavalaria de Guardas e o Grito da Independência

Responsáveis pela guarda do Palácio do Planalto, os Dragões da Independência são soldados integrantes do 1º Regimento de Cavalaria de Guardas (1º RCG), do Exército. A unidade teve origem no 1⁰ Regimento de Cavalaria do Rio de Janeiro, que fazia a guarda de honra do Príncipe D. Pedro. O regimento testemunhou o grito de D. Pedro I, dado às margens do Riacho Ipiranga, dando início ao processo de Independência do Brasil.
Os Dragões da Independência destacam-se pela imponência do uniforme histórico que vestem. O traje da guarnição foi idealizado pelo pintor francês Jean Baptiste Debret, em homenagem à Imperatriz Maria Leopoldina.
Em 1916, o 1⁰ Regimento de Cavalaria do Exército passou a chamar-se Regimento dos Dragões da Independência, usando a farda tradicional da Imperial Guarda de Honra.
Além de realizarem a guarda das instalações presidenciais, os Dragões da Independência executam o cerimonial militar da Presidência da República, atuam em operações de Garantia da Lei e da Ordem (a cavalo), e mantêm as tradições equestres do Exército. Fonte: Jornalista do ERJ Aline Carius e site Arquivo Nacional

Por Zeca Lima

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