Manutenção da democracia

*Marcos Espínola

País - (Cotidiano) - Quinta, 27 de Junho de 2019.

Uma nação só prospera se for livre. Somente aquela que já teve seus direitos tolhidos pode atestar os prejuízos e atrasos que a ausência da democracia acarreta. O Brasil realmente está acima de todos e por mais que haja polarização, discussão política e diferenças ideológicas, ainda, assim, a democracia é intocável, imutável e irrevogável. Cada um de nós é responsável e devemos fazer a nossa parte, atentos a quando termina o nosso direito e começa o do nosso semelhante.

Nos últimos anos, a ética protagonizou as discussões em nossa sociedade. O Brasil mergulhou numa crise moral sem precedentes e as opiniões são as mais diversas possíveis. No entanto, pela atmosfera que se criou, inevitavelmente foi construída no imaginário da sociedade uma espécie de lado A contra o B, a luta do bem contra o mal. E, independente de que lado você se imagina, o discurso é o mesmo, o de que o lado oposto é um inimigo. Mas isso não só não é correto como é muito perigoso. Basta vermos alguns discursos de ódio na internet e também a violência nas manifestações públicas.

Somos uma só nação. Um só povo. Todos debaixo do guarda-chuva do Estado Democrático de Direito. Isso é soberano e o que importa são as pessoas. Temos liberdade de pensar e agir, o que implicam direitos e deveres. Isso é cidadania.

O único caminho é o diálogo, tendo abertura para ouvir e negociar, flexibilizar. Sem isso não há democracia e sem ela a voz da maioria não é respeitada e sequer ouvida. É preciso entender que todo governo democrático é responsável pelo seu povo, agindo com ele, por ele e para ele. E engana-se quem acha que a população não tem a sua cota de contribuição. Somos responsáveis pelos governantes que elegemos, independente de partidos, cargos ou funções.

Felizmente o Brasil é livre e faz parte de um grupo de nações cuja democracia vigora. Em 2000, a
Freedom House, uma instituição de estudos americana, classificou 120 países, ou seja, 63% do total mundial, como democracias. E a brasileira, que garante essa liberdade é uma delas. Com pouco mais de 30 anos ainda tem muito a amadurecer.
Para isso precisamos estar atentos e haver mais harmonia entre os poderes. Qualquer radicalismo é antidemocrático e não agrega em nada. E nesse contexto, o caminho é a educação que trará a consciência para cada novo cidadão sentir-se livre e respeitando a liberdade do outro.

*Advogado criminalista

Por Redação

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