Outubro Rosa: Conheça mais sobre essa data especial na luta contra o câncer de mama

Confira também entrevistas com mulheres de nossa região que venceram o câncer de mama e hoje incentivam o movimento

Mundo - (Saúde) - Sábado, 27 de Outubro de 2018.

Outubro Rosa: Conheça mais sobre essa data especial na luta contra o câncer de mama

Para começar seria melhor explicar: o que de fato é câncer?
Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo.
Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores (acúmulo de células cancerosas) ou neoplasias malignas. Por outro lado, um tumor benigno significa simplesmente uma massa localizada de células que se multiplicam vagarosamente e se assemelham ao seu tecido original, raramente constituindo um risco de vida.
Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células do corpo. Por exemplo, existem diversos tipos de câncer de pele porque a pele é formada de mais de um tipo de célula. Se o câncer tem início em tecidos epiteliais, como pele ou mucosas, ele é denominado carcinoma. Se começa em tecidos conjuntivos como osso, músculo ou cartilagem é chamado de sarcoma.
Outras características que diferenciam os diversos tipos de câncer entre si são a velocidade de multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes (metástases).

Outubro Rosa 2018
Na década de 1990, nasce o movimento conhecido como Outubro Rosa, para estimular a participação da população no controle do câncer de mama. A data é celebrada anualmente, com o objetivo de compartilhar informações sobre o câncer de mama, promover a conscientização sobre a doença, proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade.
O INCA participa do movimento desde 2010, promove eventos técnicos, debates e apresentações sobre o tema, assim como produz materiais e outros recursos educativos para disseminar informações sobre prevenção e detecção precoce da doença.
Em 2018, a campanha do INCA no Outubro Rosa tem como tema "Câncer de mama: vamos falar sobre isso?". O objetivo é fortalecer as recomendações do Ministério da Saúde para o rastreamento e o diagnóstico precoce do câncer de mama e desmistificar conceitos em relação à doença. A campanha:
• enfatiza a importância de a mulher conhecer suas mamas e ficar atenta às alterações suspeitas;
• informa que para mulheres de 50 a 69 anos é recomendada a realização de uma mamografia de rastreamento a cada dois anos;

Centro de Quimioterapia de Três Rios
Foi em dezembro de 2017 que o Serviço Adicional de Oncologia Clínica de Três Rios, o Centro de Quimioterapia, surgiu para acrescentar mais qualidade do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) que lutam contra o câncer. Todos os dias, dezenas de pacientes em tratamento contra a doença passam horas naquela unidade de saúde, implantada pela Fundação Severino Sombra em parceria com a Prefeitura de Três Rios.
O Centro de Quimioterapia é referência em tratamento quimioterápico de alta complexidade na região, atendendo a moradores de Areal, Comendador Levy Gasparian, Paraíba do Sul, Sapucaia e Três Rios. A unidade atende a 300 pacientes em tratamento de quimioterapia e hormonioterapia, além daqueles que realizam o controle da doença. A clínica realiza desde a primeira consulta até o encaminhamento para cirurgias no Hospital Universitário de Vassouras. Não há fila de espera.
A clínica conta com toda a estrutura necessária para receber os pacientes em tratamento contra o câncer. São 12 cadeiras de quimioterapia, consultórios e uma sala de estabilização, caso os pacientes passem por intercorrências após as sessões. Segundo a coordenadora do Centro de Quimioterapia, Ana Paula Ribeiro, a estrutura implantada em Três Rios é maior que a do Hospital Universitário de Vassouras.
Antes, muitas pessoas da região tinham que buscar tratamento em Vassouras ou Juiz de Fora, mas o Centro Quimioterápico de Três Rios trouxe muitas mudanças positivas neste cenário, diz Augusto Teixeira, Coordenador da Secretaria de Saúde de Paraíba do Sul (RJ).

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Conheça 5 direitos do INSS para mulheres com câncer de mama
Segundo dados da Secretaria da Previdência, foram mais de 21 mil benefícios concedidos em 2017 para seguradas em tratamento.
Especialista em Direito Previdenciário e cofundador do site Previdenciarista, Átila Abella, explica quais são esses direitos e como solicitá-los
O câncer de mama é o segundo tipo de tumor mais frequente no mundo. De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), são esperados cerca de 60 mil novos casos da doença no Brasil em 2018. O que poucas pessoas sabem é que as pacientes diagnosticadas com a condição e que contribuíram com o INSS possuem direitos e podem entrar com pedido para solicitar seus benefícios.
De acordo com levantamento da Secretaria da Previdência, em 2017, foram concedidos pouco mais de 21 mil auxílios-doença previdenciários em decorrência do câncer de mama, número menor que em 2016, quando foram liberados cerca de 500 auxílios a mais. “A Constituição Federal assegura direitos às pessoas com todos os tipos de tumor maligno, inclusive na mama, para que ela possa ter mais qualidade de vida e, em alguns casos, até maior expectativa de vida”, explica Átila Abella, advogado especialista em previdência social e cofundador do site Previdenciarista (https://previdenciarista.com/), plataforma que auxilia advogados de todo o Brasil.
Durante o mês de Outubro, data criada para conscientização do combate à doença, o especialista reforça os 5 principais direitos do INSS para mulheres que estão na luta contra o câncer de mama.

• Auxílio-doença: Para as pacientes impossibilitadas de trabalhar temporariamente, o auxílio-doença é um benefício assegurado. “O auxílio-doença é pago mensalmente à portadora do câncer desde que fique comprovada a impossibilidade de atuação profissional. Para os trabalhadores individuais, como profissionais liberais e empresários, a Previdência Social pagará por todo o período incapacitante da doença, desde que o mesmo tenha requerido o benefício”, explica Átila.

• Aposentadoria por invalidez: Já para as pacientes que passam pela cirurgia de retirada das mamas e que ficam impossibilitadas de trabalhar de forma permanente, sem possibilidade de reabilitação, é possível solicitar a aposentadoria por invalidez. “Para ter direito ao benefício, a segurada precisa ter iniciado as contribuições antes do diagnóstico da doença, e pode solicitar a aposentadoria por invalidez independentemente de ter feito as 12 contribuições pré-estabelecidas pelo INSS”, afirma o especialista.

• Saque do FGTS e PIS: Portadores do câncer de mama, ou pessoas que tenham uma dependente com a doença, também podem resgatar a quantia disponível no FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e nas quotas do PIS/PASEP. “Basta a segurada apresentar cartão do cidadão ou o número do PIS, a carteira de trabalho e um atestado médico válido por 30 dias, com o histórico da doença, estágio clínico atual e a cópia dos laudos. Para os casos de dependentes com a patologia, também é exigido um documento que confirme a ligação com a paciente", explica Átila.

• Auxílio acompanhante: Além dos benefícios acima, a segurada que necessita comprovadamente de um cuidador pode solicitar também o adicional (majoração) de sua aposentadoria para auxiliar no custeio do acompanhante, previsto na Lei nº 8.213/91 – um acréscimo vitalício de 25% no benefício pago pelo INSS.

• Isenção de IR: A gravidade do câncer de mama também isenta, por lei, as seguradas portadoras da doença de arcar com o Imposto de Renda, mesmo em caso de pacientes que já recebam benefícios da Previdência Social. "Como as pessoas com HIV/AIDS, cardiopatas graves e parkinsonianos, entre outros, elas têm direito a essa isenção, desde que recebam uma aposentadoria, pensão ou reforma", finaliza a advogado.

Como entrar com o pedido do benefício?
Para requerer todos os auxílios, a paciente precisará passar por um exame de perícia no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Por ser um processo burocrático e levar em consideração todas as situações emocionais que cercam pessoa diagnosticada com câncer de mama, é indicado contar com a ajuda de um profissional.

Entrevista
O Entre-Rios Jornal conversou com três grandes mulheres da região sul-fluminense que lutaram contra o câncer de mama e hoje incentivam a campanha do Outubro Rosa.
Entre elas está Rosimeri de Oliveira Paes, 58 anos, que contou um pouco para nós como foi lutar contra o câncer de mama duas vezes. Confira:
Entre Rios Jornal: Como foi e quando descobriu?
Rosimeri: Pelo meu histórico familiar ser grande sempre estive fazendo os exames de rotina além do autoexame. Foi quando eu em um autoexame descobri um nódulo ano de 1999, eu tinha 39 anos na época.
ERJ: Como a família reagiu à notícia?
Rosimeri: Foi muito difícil para todos. Principalmente para mim, você fica sem chão com dois filhos e esposo. Confesso que foi bem difícil, mas recebi muito carinho e atenção de todos o que me ajudou bastante.
ERJ: Imaginou que um dia teria câncer?
Rosimeri: Você nunca descarta essa possibilidade. Também pelo meu histórico familiar como já falei no início.
ERJ: Nesses momentos você teve medo da morte?
Rosimeri: Nos primeiros momentos sim. Volta tudo, um filme em sua mente, por você ter perdido mãe, irmã, tias e primas.
ERJ: Como foi o tratamento?
Rosimeri: Para mim foi pior do que a receber o diagnóstico. No meu primeiro câncer foram feitos oito seções de quimioterapia, cinco antes da cirurgia e três após, e eram feitos de 20 em 20 dias. Foi bem difícil, e você tem que se deslocar de sua cidade para outra é bem difícil, sem falar que ficamos muito debilitados.
ERJ: O que mais lhe marcou neste momento em sua vida?
Rosimeri: Foram muitas coisas. Mais o que ficou em meu coração foi o companheirismo do meu esposo, ele não media esforços. Além dos meus familiares estando comigo e me apoiando, junto das bênçãos de Deus a cada dia me fazendo vencer.
ERJ: O que você diria para alguém que passa pelo que você enfrentou?
Rosimeri: Que jamais abandonem seus tratamentos, nós temos que ter fé em Deus e confiança nos médicos. Também sempre fazer exames, porque a prevenção ainda é a solução. Se você conhece alguém que esteja passando por essa situação, ou que esteja com medo fale com ela, estejam juntas, seja apoiando e acompanhado.

Sandra Mello, 62 anos, também compartilhou sua história e trajetória para o jornal.
Entre Rios Jornal: Como foi e quando descobriu?
Sandra: Descobri da pior forma. Levei um exame para o médico e percebi que ele ao olhar o exame viu que tinha algo estranho. Daí ele me disse que era um câncer. Pensei: Eu sozinha numa cidade totalmente diferente da minha. Não tinha muito que fazer, era encarar ou não. Sentir o chão abrir, vontade de chorar, gritar, mas aí lembrei: tenho uma mãe que precisa de mim e quero viver, e acredito em um Deus vivo”. Encarei e arregacei às mangas em vez de chorar.
ERJ: Como a família reagiu à notícia?
Sandra: Minha mãe tem Alzheimer, meu irmão e minha irmã ficaram tristes, mas isso dependia de mim. Eu precisava ser forte pra superar tudo e confiar na equipe médica.
ERJ: Imaginou que um dia teria câncer?
Sandra: Não.
ERJ: Nesses momentos você teve medo da morte?
Sandra: Não, nunca pensei.
ERJ: Como foi o tratamento?
Sandra: O tratamento é muito difícil mais tem que acontecer e a gente tem que superar e ser forte.
ERJ: O que mais lhe marcou neste momento em sua vida?
Sandra: Eu me tornei uma mulher mais forte e capaz de lutar pela vida, pois ela é passageira e não tem nada mais importante do que viver bem, valorizando cada segundo da minha vida me amando e amando os semelhantes.
ERJ: O que você diria para alguém que passa pelo que você enfrentou?
Sandra: Tem 11 anos que luto contra o câncer, confio em Deus, são etapas que temos que passar, então temos que confiar e pedir ajudar o nosso Deus que tudo se tornará bem mais leve. Confiar, acreditar e simplesmente lutar cada dia para melhorar. Tem que lutar sempre. Seria muito bom um dia poder ouvir que nunca mais existirá essa doença.

Regina das Graças Saggioro, 67 anos, passou também por um câncer de mama e nos contou sobre a conquista ao final desse desafio
ERJ: Como foi e quando descobriu?
Regina: Foi quando eu fui dormir a noite e notei que havia um caroço no meu seio, eu fiquei bem assustada e preocupada. Dias depois fui acompanhar a minha prima que já estava fazendo um tratamento contra o câncer de mama, foi aí que ela pediu para o médico me examinar. Dias depois de ter feito o exame veio a confirmação.
ERJ: Como a família reagiu à notícia?
Regina: A princípio foi um choque para todos, mas depois aceitamos a situação e encaramos o problema.
ERJ: Imaginou que um dia teria câncer
Regina: Ninguém nunca imagina que vai passar por isso na vida.
ERJ: Nesses momentos você teve medo da morte?
Regina: Tive medo sim.
ERJ: Como foi o tratamento?
Regina: Foi bem difícil para todo mundo, já que o tratamento foi feito em Juiz de Fora. Tive que fazer sessões de radioterapia diariamente e de quimioterapia a cada 21 dias, perdi todo o meu cabelo durante o tratamento da quimioterapia e por fim não teve jeito, tive que operar para a retirada total da mama direita.
ERJ: O que mais lhe marcou neste momento em sua vida?
Regina: Foi o apoio que recebi de toda a minha família.
ERJ: O que você diria para alguém que passa pelo que você enfrentou?
Regina: Encare o problema junto com a sua família e também se agarre muito em Deus, reze e converse muito com Ele.
Fontes: União Internacional para o Controle do Câncer (UICC)/ Instituto Nacional de Câncer (INCA)/ Prefeitura Municipal de Três Rios

Por Zeca Lima

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