Professora desenvolve projeto “Hortas Orgânicas nas Escolas e na Comunidade”

Com a ajuda da agricultora Joana, sete hortas já foram feitas

Três Rios - (Cotidiano) - Sábado, 13 de Julho de 2019.

Professora desenvolve projeto “Hortas Orgânicas nas Escolas e na Comunidade”

Romilda Aparecida da Silva Mendes, professora de língua portuguesa e ensino fundamental do município de Três Rios há 27 anos, sendo 14 deles como diretora da Escola Municipal Marques de Salamanca, no segundo distrito, em Bemposta, passando também pela Creche Escola Municipal Santa Terezinha, que fica na mesma localidade, hoje é dinamizadora do projeto “Hortas Orgânicas nas Escolas e na Comunidade”.
Trabalhando em escolas da zona rural, Romilda via como as crianças não tinham acesso à alimentação saudável, nem conhecimento dos valores nutricionais de cada alimento e alguns não conheciam sequer uma cenoura, ou uma beterraba. Pensando na qualidade de vida das crianças, ela resolveu criar uma horta para enriquecer o cardápio e para fazer os pequenos tomarem gosto por plantar.
No ano passado, Romilda procurou por Joana Vantine, que é agricultora, cresceu apreendendo com seu pai tudo sobre plantio e tem conhecimento e amor pela terra e a convidou para desenvolver esse projeto. Joana topou na hora e a professora procurou o prefeito Josimar Salles, que aprovou a ideia de fazer horta nas escolas.
Ao conversar com a secretária de Educação Hélida Siqueira, Romilda recebeu o aval para dar início ao projeto “Hortas Orgânicas nas Escolas e na Comunidade”. A primeira dificuldade foi preparar o terreno. Para dar certo, a professora e Joana se uniram e carregaram muitos carrinhos de terra para levar até às escolas.
“Cada lugar tem uma característica do que vai plantar e do que vai dar certo naquele solo. Um dá couve, outro já não dá e por aí vai. Tem que ser aos poucos; ir conhecendo a terra de cada terreno. O primeiro, o Guilhermina Guinle, que não tem espaço, a horta foi construída atrás do posto de saúde em uma área que estava sem utilização. Demos vida ao local ao plantarmos couve, alface, almeirão, batata doce, cebolinha e salsa”, contou Romilda.
A segunda escola a ser agraciada com a horta foi a Salamanca, onde Romilda e Joana plantaram mais coisas ainda do que havia sido plantado na Guilhermina Guinle. A Creche Santa Terezinha também passou a ter uma horta farta.
“Durante todo esse processo nós levamos as crianças para plantar, ter contato com a terra, acompanhar todo o trabalho, o crescimento dos alimentos e também para a ajudar no plantio e na colheita. As crianças fazem visitas esporádicas às hortas e recebem informações da Joana de como cada alimento deve ser plantado, sobre o tempo que eles levam para ser plantados, entre outras coisas que têm a ver com horta e eu falo do valor nutricional dos alimentos, a diferença do produto orgânico com o convencional que tem agrotóxicos e por incentivamos as crianças a comerem os legumes e as verduras”, explicou a professora.
Tudo que tem na horta é colhido e doado para as escolas usarem na merenda e para os alunos levarem para casa. Uma feirinha costuma ser feita para que as crianças possam escolher três produtos para levar.
O Ministério da Educação (MEC) recomenda que as escolas tenham algum projeto voltado para a alimentação saudável e com isso as diretoras de outros colégios passaram a procurar por Romilda para que novas hortas fossem feitas.
A Escola Municipalizada Eduardo Duvivier de Hermogênio,e a Creche Jardim de Infância Doutor Valmir Peçanha na Vila Isabel, também já ganharam suas hortas. Porém, o trabalho se expandiu e o CRAS da Vila Isabel, espaço do Bolsa Família no centro da cidade, passaram a ter horta e a igreja de Bemposta, que já tinha uma horta, foi incrementada pelo projeto.
Na quinta-feira (11) os idosos no CRAS da Vila receberam informações sobre plantas medicinais, prepararam xarope de guapo para levar para casa, fizeram degustação de suco de couve, cenoura e maçã, ajudaram a plantar e levaram mudas, verduras e sementes para casa.
“Para que esse projeto desse certo eu fiz cursos na área para adquirir conhecimentos para passar para as crianças e com isso consegui em parceria com a Associação de Produtores Rurais de Paraíba do Sul cursos gratuitos para Bemposta. Já foram realizados cursos de hortas caseiras, agroecologia e plantas medicinais”, disse Romilda.
E o projeto “Hortas Orgânicas nas Escolas e na Comunidade” não para por aí, Romilda quer agora unir um grupo de pessoas que tem conhecimento de plantas medicinais e passar para outras pessoas a serventia de cada planta dessas através de reuniões mensais.
Sempre pensando à frente e querendo colaborar com a sociedade, durante uma reunião em junho de 2018 conheceu Daniele Barros que é coordenadora do Ministério da Agricultura do estado do Rio, que a apresentou o projeto “Rede de Hortas Urbanas e Jardins Produtivos” da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Tal projeto, que vem sendo desenvolvido em parceira com Agricultura Familiar do Ministério da Agricultura, tem como meta fortalecer uma rede de produtores e seus laços de vida comunitária, condição indispensável para a criação de convivência social e produtiva, reduzindo possíveis riscos de insegurança alimentar, nutricional e geração de renda.
“Visitei muitas hortas para apreender mais e mais e com isso descobri que tem muitos produtores que vivem do plantio e já fazem plantação orgânica e também e ao saber do projeto “Rede de Hortas Urbanas e Jardins Produtivos” topei participar e fui atrás de alguns agricultores de Bemposta e após apresentar um relatório, quatro deles foram inseridos no projeto, que visa ensinar os produtores a valorizarem o espaço que tem para plantarem tanto para consumo próprio como para comercialização”, explicou Romilda.
Os quatro agricultores, além de capacitação, foram contemplados com vários materiais, entre eles enxada, cavadeira, facão, carrinho de mão, mangueiras, sementes e mudas. Durante um período os produtores tiveram o acompanhamento de técnicos e Romilda, que passou a ser monitora desse projeto, também fazia visitas e fotografava as plantações para enviar à UFF.
No sábado passado, dia 6 de julho, o projeto teve sua culminância em Duque de Caxias (RJ) na Praça Pacificadora, aonde os produtores de Bemposta expuseram os seus produtos orgânicos plantados ao longo do projeto, tanto para a venda quanto para demonstração de que o “Rede de Hortas Urbanas e Jardins Produtivos” deu certo para eles.
“Agora cada produtor segue sozinho utilizando o que apreendeu nesses oito meses de projeto e eles ainda vão ganhar mourões, telas e sombrites. E Eu pretendo continuar com as hortas e multiplicá-las. Quero também criar um grupo para dar continuidade a essa ideia e incentivar mais pessoas a participarem. Se cada um tivesse pelo menos um canteiro em casa, seria ótimo.É de pequeno que se começa, para um dia se tornar um grande produtor. Eu não tinha conhecimento nenhum, só a boa vontade e hoje chegamos até aqui. Agradeço muito a Joana, sem ela nada do que aconteceu e vem acontecendo seria possível”, finalizou a professora Romilda.

Por Aline Carius

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