Rogério Onofre e Alcino Carvalho são denunciados por envolvimento em esquema de propina na Fetranspo

Delação de Lélis Marcos, ex-presidente da entidade, denuncia valores acima de R$ 120 milhões repassados entre autoridades durante 10 anos

Estado do Rio - (Política) - Quarta, 20 de Novembro de 2019.

Rogério Onofre e Alcino Carvalho são denunciados por envolvimento em esquema de propina na Fetranspo Os ex-presidentes do Detro, Rogério Onofre e Alcino Carvalho, foram denunciados pelo ex-presidente da Fetranspor, Lélis Teixeira (foto à dir.), ao STJ


Homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), a delação premiada de Lélis Marcus Teixeira, ex-presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Rio (Fetranspor), contém denúncias que envolvem pelo menos 30 autoridades fluminenses que concederam benefícios fiscais e tarifários ao setor de transporte obtendo em troca pagamentos sistemáticos de propina. Em seu depoimento, Lélis Marcos Teixeira afirmou ter conhecimento de iniciativas para influenciar no formato de licitações de linhas de ônibus, barrar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro e financiamento de campanhas eleitorais através de caixa dois.
O esquema teria tido repasses de mais de R$ 120 milhões num período de dez anos, o que teria impactado o bolso dos usuários do transporte coletivo na capital e em outros municípios.
Todo o esquema prejudicou os passageiros com reajuste de tarifas de linhas intermunicipais em 2017. Ainda em seu depoimento, Lélis comentou que a inflação naquele período, calculada pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), havia sido de 6,99%, mas as empresas conseguiram 14,83% de aumento. Com isso a Fetranspor conseguiu um percentual maior, sob a alegação de que o aumento cobriria gratuidades concedidas à estudantes da rede pública de ensino e pessoas portadoras de necessidades especiais.
Segundo a delação, as empresas de ônibus conseguiram benefícios ficais, como redução do IPVA e isenção do ICMS em 2014, quando Sérgio Cabral, do MDB, era governador do estado do Rio de Janeiro.
Lélis denunciou que em 2015, houve reajuste acima da inflação graças ao pagamento de propina para Rogério Onofre e Alcino Carvalho, que presidiram o Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio (Detro). Onofre, que atuava no combate à circulação de vans, teria recebido, segundo Lélis, pelo menos R$ 43,4 milhões, conforme registrado em planilhas de propina do doleiro Álvaro Novis.
Outros nomes da política fluminense também foram citados na delação. Entre eles, o atual prefeito do Rio, Marcelo Crivella, o ex-prefeito Eduardo Paes, os ex-governadores do estado Anthony Garotinho, Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, o ex-secretário de Transportes do estado Julio Lopes, o secretário municipal de Transportes do Rio de Janeiro Carlos Roberto Osório, entre outros.
Em 2018, o ex-presidente da Fetranspor, Lélis Marcos Teixeira, se negou a prestar esclarecimentos à CPI da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que investigava irregularidades no transporte fluminense envolvendo donos de empresas de ônibus, políticos e agentes públicos. Lélis Teixeira chegou a ser preso pela Polícia Federal por duas vezes, mas foi beneficiado por decisões do ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal (STF), que também soltou por duas vezes o empresário Jacob Barata Filho, o conhecido "Rei dos ônibus". Com informações dos jornais O Globo e Extra e do portal G1

Por Redação

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