Salve a Liberdade de Imprensa

Mundo - (Cotidiano) - Sábado, 05 de Maio de 2018.

Salve a Liberdade de Imprensa

Na última quarta-feira, dia 3 de Maio, foi comemorado o Dia da Liberdade de Imprensa, que traz consigo uma quebra de paradigmas muito antes do advento da internet. Essa liberdade impede qualquer tipo censura, seja de natureza política, ideológica ou artística, e assegura o direito de resposta, proporcional ao agravo que tenha sofrido.
A liberdade de imprensa é para veículos de comunicação, equivalente ao que a liberdade de expressão significa a um artista. Não há como exercer os fundamentos do jornalismo e da comunicação em geral sem ampla e irrestrita liberdade em fazê-lo. O jornalismo deve atender à sociedade civil ao noticiar, informar, denunciar, escrever, detalhar tudo aquilo que é ou pode vir a ser de interesse público.
A liberdade de imprensa é importante para toda a sociedade, porque veículos de comunicação devem ser capazes de denunciar e dar informações sobre escândalos de empresas estatais em seus jornais, sem que o governo os censure. E, tem também o dever profissional de ouvir o máximo de versões possíveis dos fatos, entrevistar o máximo de fontes necessárias (não apenas as “oficiais”, como o governo) e reportar seu lado com honestidade.
A Liberdade de imprensa e Liberdade de expressão não se devem confundidas, pois ambas têm naturezas distintas. Enquanto a liberdade de imprensa nasce da reivindicação de profissionais do jornalismo, que têm pautas baseadas na sua experiência na área, a liberdade de expressão é pautada na possibilidade de qualquer cidadão em se manifestar, seja com uma ideia, ideal, história, arte, trabalho ou protesto.
A principal função do jornalismo é agir em prol da sociedade, tendo um compromisso único com o interesse público. Uma imprensa séria fornece as informações, os fatos e as verdades necessárias para que o público tire suas próprias conclusões criando seus próprios pensamentos. A ideia de liberdade de imprensa deriva dos Estados Unidos, que valoriza muito a questão. Prova disso é que a primeira emenda da Constituição estadunidense proíbe qualquer censura e sanção tanto à liberdade de imprensa, como à de expressão.
Cabe à imprensa, livre, ser a voz dos “sem voz”, de denunciar irregularidades e injustiças. De buscar aquilo que nem sempre está às claras e, para isso, precisará investigar. Sem liberdade em contrariar interesses, seja de pessoas importantes, de empresas poderosas ou de governantes, o jornalista não conseguirá exercer essa parte da sua função profissional.

A liberdade de imprensa diz respeito, também, à segurança do jornalista em exercer a sua profissão. O jornalista tem o direito de sair às ruas sem medo de ameaças, de sanções e até pior, de morte. De acordo com o Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ), em 2014, o Brasil era o 11º país mais perigoso para se exercer a profissão. A organização Repórteres sem Fronteiras coloca o Brasil como o 104º país na Classificação Mundial de Liberdade de Imprensa (2016), de 180 países.
Em 2015, oito jornalistas foram mortos e outros 64 foram agredidos enquanto exerciam a profissão. O levantamento feito pelo CPJ — que chama 2015 de “um ano cruel” — revela um total de 116 registros de violações à liberdade de expressão, o que inclui também casos de ameaça e intimidação, entre outros. Fonte: Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ)
Apesar de diferentes, a liberdade de expressão e de imprensa têm em comum a vontade em exercer a cidadania e em diversificar o discurso público. Ambas são igualmente poderosas e importantes, mas como se viu, nenhuma liberdade é um ganho permanente e sim, um estado.
Unesco: Estado de Direito depende de imprensa livre
Também por ocasião do dia mundial, na última quarta-feira, dia 3 de Maio, o Dia da Liberdade de Imprensa, a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, afirmou que “qualquer Estado que esteja sob o Estado de Direito e respeite as liberdades individuais, em particular as liberdades de opinião, de consciência e de expressão, depende de uma imprensa livre, independente e protegida contra a censura e a coerção”.
Em 2017, 79 jornalistas foram assassinados em todo o mundo durante o exercício de sua profissão.
“O ideal de um Estado que esteja sob o Estado de direito exige cidadãos bem informados, decisões políticas transparentes, debates públicos sobre assuntos de interesse comum e uma pluralidade de pontos de vista que forma as opiniões e enfraquece as verdades oficiais e o dogmatismo”, acrescentou a chefe da agência da Onu.
Segundo a dirigente, “esse poder formativo e informativo é inerente à imprensa e à mídia em geral, em todas as suas formas e por vários meios”.
Em 2018, a Unesco observa o 3 de maio com o tema “De olho no poder: mídia, justiça e o Estado de Direito”. Para Audrey, a data também é uma ocasião para debater os novos desafios relativos à liberdade da imprensa no mundo online.

Por Zeca Lima

Crédito da Foto: Reprodução

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