Trem Rio Minas: Conheça algumas curiosidades sobre a aguardada atração turística da região

Região - (Cotidiano) - Sábado, 25 de Maio de 2019.

Trem Rio Minas: Conheça algumas curiosidades sobre a aguardada atração turística da região

O trem turístico Rio-Minas passará por dez municípios e irá retomar a atividade ferroviária na região da Zona da Mata mineira e no Sul-Fluminense. O projeto contém uma malha ferroviária que engloba os municípios de Três Rios, Chiador, Cataguases, Além Paraíba, Volta Grande, Leopoldina, Recreio, Sapucaia, Santo Antônio de Pádua e Palma.

Com capacidade para 800 passageiros, o Trem Turístico Rio-Minas sairá de Três Rios com destino a Cataguases (MG), e vice-versa, em um percurso de 168 km. Ao todo são 15 vagões que foram adquiridos pela ONG Amigos do Trem e que tem o apoio da iniciativa privada (Grupo Mil).

O projeto foi idealizado e realizado por Paulo Henrique do Nascimento, que é o fundador da ONG Amigos do Trem. Paulo Henrique faleceu em novembro de 2018, sendo assim, a ONG passou a ser presidida por Cyntia Nascimento.

Desde o primeiro momento em que foi apresentado ao projeto, pelo presidente da ONG Amigos do Trem Paulo Henrique, o prefeito Josimar Salles aceitou o desafio e convocou sua equipe de governo para tornar realidade o sonho de um trem turístico em Três Rios. Foram meses de reuniões em Brasília, reuniões com os prefeitos das demais cidades e com os representantes da ONG, até que o projeto pudesse ser apresentado à iniciativa privada, que abraçou a causa.

O trem conta o investimento do empresário  Josemo Corrêa de Mello, presidente do Grupo Mil, grande entusiasta da iniciativa e parceiro importante para a concretização do sonho que por anos foi planejado e agora possui a credibilidade nesse avanço para o turismo da região, gerando por parte das prefeituras toda uma movimentação em torno de diversas atrações turísticas que poderão ser exploradas e fomentadas a partir da implantação do trem turístico. O empresário trirriense fez questão de incluir a marca do Bramil e de suas demais empresas nas duas locomotivas e ficou emocionado ao conhecer o projeto de perto.

 

Segundo o prefeito de Três Rios, o Trem Turístico Rio-Minas vai transformar a realidade do turismo em Três Rios e região, resgatando a tradição ferroviária e fortalecendo a economia. "Estamos realizando uma importante obra para recuperar o leito da ferrovia para a passagem do Trem Rio-Minas. O projeto vai atrair cerca de 800 turistas, por semana. São pessoas de todas as partes do Brasil e até do exterior, que virão conhecer nossa cidade e região, aquecendo o comércio e os setores hoteleiros e gastronômicos".

Segundo o Ministério do Turismo, outras seis cidades serão contempladas com o passeio interestadual: Leopoldina, Recreio, Volta Grande, Além Paraíba e Chiador, em Minas; e Sapucaia, no Rio de Janeiro. Os passeios serão realizados aos sábados, domingos e feriados e vão fortalecer a atividade turística nos municípios envolvidos e no seu entorno.

Além da imprensa local, o assunto ganhou as páginas dos jornais de grande circulação no país.

O roteiro inicialmente programado vem movimentando os municípios envolvidos, e com isso, animando ainda mais os investidores do projeto que resgata um meio de transporte que no Brasil, até então é voltado, em sua maioria, para o setor de cargas.

O trajeto da composição com dois trens compreende Cataguases/MG a Três Rios/RJ, com uma população em torno de 280 mil habitantes diretamente atingida pelo projeto, chegando a 12,5 milhões de habitantes da Zona da Mata mineira e da região Centro-Sul fluminense.

Os passageiros podem fazer o trajeto de ida e volta ou, se quiserem, retornar para o destino de origem, trocando de vagão na metade do caminho. Os valores das passagens ainda não foram divulgados. O projeto também pode mudar antes ou depois da primeira viagem oficial, tudo depende das liberações Agência Nacional de Transportes Terrestres - ANTT.

No roteiro, diversos lugares interessantes irão garantir uma viagem inesquecível para os turistas da região e até mesmo de outros estados do Brasil e de outros países. Cachoeiras, museus, locais históricos, fazendas importantes, igrejas, restaurantes e outros passeios que prometem impulsionar o turismo e a economia, associando outras atividades ao crescimento.

 

“O sonho de revitalização do transporte de pessoas sobre trilhos está se tornando realidade, graças ao apoio do sr. Josemo, ao empenho do Paulo Henrique e também das prefeituras envolvidas. Esta é uma grande conquista que trará um enorme benefício para o turismo da região e para a nossa população. Nosso objetivo é possibilitar o crescimento econômico, a criação de empregos e a geração de renda para nossa cidade”, afirma Fabrício Baião, prefeito de Sapucaia.

O Entre-Rios Jornal também conversou com Cyntia Nascimento Leite, Assistente Social e responsável pela equipe do desenvolvimento do trem. Confira o bate-papo:

ERJ: O trem turístico Rio-Minas tem data de previsão para  circular?

Cyntia: A data será divulgada após o término das reformas, bem como a autorização dos órgãos responsáveis. A ONG Amigos do Trem está trabalhando para atender os turistas e a população com segurança e qualidade.

ERJ: Qual o maior desafio vocês estão enfrentando para colocá-lo em prática?

Cyntia: Hoje o projeto encontra-se bastante consolidado. O Projeto Rio-Minas tem total apoio do Ministério Público Federal de Minas Gerais, Vale S.A, VLI, Ministério dos Transportes, DNIT, ANTT e das prefeituras participantes do projeto. Para iniciar o projeto, estamos aguardando o término da reforma e algumas questões burocráticas.

ERJ: Houve alguma mudança no percurso principal?

Cyntia: Não houve mudança no percurso. Porém, o projeto será inaugurado por módulos e de acordo com a reforma da linha.

ERJ: Como vai ser o funcionamento, número de paradas, tempo de percurso?

Cyntia: O funcionamento, as paradas e tempo de percurso estimado será confirmado quando os testes operacionais estiverem ocorrendo. Além disto, dependerá dos atrativos de cada município. Hoje as prefeituras, comerciantes, artesãos, rede hoteleira, dentre outros, estão se preparando para receber a grande demanda de turistas do Trem Rio-Minas.

ERJ: Você acredita que o Brasil deveria investir mais em transporte ferroviário para turismo ou locomoção de pessoas?

Cyntia: O modal ferroviário é bastante utilizado, mas não tanto quanto o rodoviário. Infelizmente o governo não investe tanto em ferrovia. Realizando uma comparação com o transporte rodoviário, é importante ressaltar que a ferrovia. Proporciona baixo custo, baixo índice de acidentes, menor poluição, contenção dos problemas referentes ao trânsito,bem como furtos e roubos. Além disso, este tipo de modal permite transportar grandes quantidades de produtos, além da variedade.

Em relação ao transporte ferroviário de turistas ou passageiros, podemos ressaltar também o aspecto econômico. Comparado ao modal rodoviário, o custo do ferroviário é inferior.

Se caso houvesse um investimento na malha ferroviária, o Brasil certamente se destacaria. A construção e revitalização das ferrovias demandam tempo, investimento e planejamento de governo. Uma malha ferroviária ativa, abundante e interligada levaria benefícios para os comerciantes e produtores, bem como na fomentação das exportações e escoamento de produtos.

 

Ong Amigos do Trem

Foi o Sebrae junto de uma parceria com a Ong Amigos do Trem que tiveram o plano de negócios do produto turístico, apontando as possibilidades e a viabilidade da iniciativa. E agora está propondo aos municípios um plano de desenvolvimento turístico, identificando os atrativos, roteirizando e criando produtos para promover cada localidade.

 

 

A história ferroviária de Três Rios

Monhangaba – Próximo ao Méier

A chamada Linha Auxiliar foi construída pela E. F. Melhoramentos a partir de 1892 e em 1898 foi entregue o trecho entre Mangueira (onde essa linha e a do Centro se separam) e Entre-Rios (Três Rios). O traçado da serra, construído em livre aderência e com poucos túneis, foi projetado pelo engenheiro Paulo de Frontin, um dos incorporadores da estrada.

Em 1903, a E. F. Melhoramentos foi incorporada à E. F. Central do Brasil e passou a se chamar Linha Auxiliar. Outras ferrovias foram incorporadas a ela, assim como ramais construídos, dando origem à Rede de Viação Fluminense, que tinha como tronco a Linha Auxiliar, sendo tudo gerido pela Central. Na mesma época, o ramal de Porto Novo, que saía de Entre-Rios, teve a sua bitola estreitada para métrica e tornou-se a continuação da Linha Auxiliar até Porto Novo, onde fazia entroncamento com a Leopoldina.

No final dos anos 1950, este antigo ramal foi incorporado à E. F. Leopoldina e a Linha Auxiliar passou a terminar de novo em Três Rios, onde havia baldeação. A linha, entre o início e a estação de Japeri, onde se encontra com a Linha do Centro pela primeira vez, transformou-se em linha de trens de subúrbios, que operam até hoje; da mesma forma, a linha se confunde com a Linha do Centro entre as estações de Paraíba do Sul e Três Rios, onde, devido à diferença de bitolas entre as duas redes, existe bitola mista.

Nos anos 60, toda a linha passou para a Leopoldina. A linha da Auxiliar teve o traçado alterado nos anos 1970 quando boa parte dela foi usada para a linha cargueira Japeri-Arará, entre Costa Barros e Japeri, ativa até hoje, bem como para trens metropolitanos entre o Centro e Costa Barros. Entre Japeri e Três Rios, entretanto, a linha está abandonada desde 1996.

A estação de Monhangaba, sem data de inauguração conhecida, chamava-se, em 1928, Chave Zieze. Na atualidade porém, existe outra estação abandonada muito próxima a ela, chamada de Estação Walmart,  localizada entre as estações Del Castilho e Pilares do Ramal de Belford Roxo, construído no ano de 2002, mas que nunca entrou em operação. Assim como tantas outras, a Estação Walmart encontra-se abandonada muito próxima de onde antes ficava a Estação Monhangaba, que foi demolida muitos anos atrás.

 

Leopoldina – Rio de Janeiro

A Estação Barão de Mauá (também chamada Estação Leopoldina) era uma estação ferroviária que foi inaugurada em 1926 e fechada em 2004, quando tinha seu direito de uso cedido à SuperVia.

A linha que unia o Centro do Rio de Janeiro a Petrópolis e Três Rios, foi construída por empresas diferentes em tempos diferentes. Uma pequena parte dela é a mais antiga do Brasil, construída pelo Barão de Mauá em 1854 e que unia o porto de Mauá (Guia de Pacobaíba) à estação de Raiz da Serra (Vila Inhomirim). O trecho entre esta última e a estação de Piabetá foi incorporada pela E. F. Príncipe do Grão-Pará, que construiu o prolongamento até Petrópolis e Areal entre os anos de 1883 e 1886. Finalmente a estação de Areal foi unida à de Três Rios em 1900, já pela Leopoldina.

Fonte: Estações Ferroviárias

Por Zeca Lima

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