Triângulo desfila sem verba, mas aposta na sorte

Três Rios - (Entretenimento) - Terça, 18 de Fevereiro de 2020 às 07:00 horas.

  Triângulo desfila sem verba, mas aposta na sorte Penalizada pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro por falhas na prestação de contas de 2002, justamente no ano em que ajudou as co-irmãs, o Independente do Triângulo ficou sem receber verba e com isso sem desfilar por dois carnavais (2018 e 2019), prometendo o retorno com um desfile de superação. Presidida pelo popular Tião Rufino, a escola tricolor, que tem o leão como símbolo, quer superar todas as dificuldades encontradas com um desfile para ficar em sua história e também do carnaval trirriense.
O desfile vai acontecer graças a ajuda de simpatizantes da agremiação e aos ensaios que têm tido um público muito participativo para uma escola considerada pequena.
Com o enredo “Abram-se as cortinas. A sorte está lançada”, o Triângulo, com 35 anos de existência, quer espantar de vez o azar e voltar entre as campeãs no sábado. No que depender de garra, a escola, tal e qual seu símbolo, o leão, quer devorar a avenida e mostrar que tem força entre as co-irmãs.
Fundada em 1985, a verde, vermelho e branco do bairro do Triângulo iniciou sua trajetória como bloco em 1986. Foram quatro desfiles nessa categoria, até que em 1989, com o enredo “Álcool, o jeitinho brasileiro”, a agremiação conquistou o título e o direito de se tornar escola de samba; estreia que aconteceu em 1991, no segundo grupo, quando apresentou o enredo “Faça o jogo – a sorte está lançada”, conquistando o direito de subir para o grupo principal. Mas, ao longo dos anos, o Triângulo teve altos e baixos se apresentando em desfiles não oficiais. Em 2002, a escola disputou oficialmente com três agremiações o título de campeã, ao homenagear Selmarino, o Sambista Maneiro, fundador da cor-irmã Mocidade da Vila. Desde então a escola fez desfiles de muita garra, mesmo com grande dificuldade. Um de seus abnegados diretores, Antônio Luiz da Silva, falecido em 2018, tinha o sonho de ver a escola crescer e, com sua família, foi um dos pilares para que o Triângulo não enrolasse a bandeira.
Luiz do Triângulo, como também era chamado, viu o Independente dar seus primeiros passos no quintal de sua casa com o trabalho incansável de seu ex-cunhado Carlão, fundador do bloco, e também de sua irmã Maria Sebastiana e de sua mãe Dona Maria.
Desafiando as dificuldades, o carnavalesco João Vitor Esteves, ganhador do Troféu Ziriguidum como Revelação ano passado pelo Mixyricka, está confiante no samba e na garra dos componentes da escola. “Vou mostrar onde a palavra sorte surgiu e as situações que necessitamos de sorte. O fio condutor dessa historia é o Coringa representado pelo Leão no abre-alas. Ele vai desbravar toda historia, mostrando sonhos dos brasileiros e o sonho maior do Triângulo que é a sorte de desfilar o carnaval 2020", disse o carnavalesco João Vitor.
Segundo o enredo, o coringa cai no buraco, fazendo alusão à história da Alice e lá encontra seres que vão ajudá-lo a contar a história do Triângulo, que precisou de muita sorte. "O leão encontrará pessoas malucas, vai encontrar um palhaço, que tem o rosto do nosso presidente, encontrará outros leões e nesse carro falaremos do mundo das fantasias, um carro bem colorido. Teremos um rei de copas que comanda todo esse mundo. No segundo carro os brasileiros têm um sonho. Que é um sonho de todos os brasileiros: ganhar o prêmio da mega sena. Esse segundo carro fala de dinheiro, que também depende de sorte. O terceiro carro conta onde o Triângulo precisou de mais sorte, que é colocar o carnaval na rua, onde faremos uma homenagem ao saudoso Luiz, um dos fundadores da escola, sendo representado por um personagem surpresa de 15 anos - apenas um menino. Haverá também grandes peças de xadrez por todo o carro e elas vão se movimentar", revela o carnavalesco.
Mesmo sem verba, a escola trabalha diuturnamente para brilhar no desfile e não fazer feio. O presidente Tião Rufino e o diretor de carnaval Carlos Augusto estão confiantes em um belo desfile e uma apresentação das melhores, inclusive da Bateria Invocada, sob comando de Mestre Brunão, tendo à frente a rainha Ana Pimentel.
O barracão está funcionando na própria quadra e não tem as melhores condições; isso sem falar na chuva forte dos últimos dias que tem atrapalhado todo o cronograma, mas, nem por isso a diretoria e o pessoal que está trabalhando está desanimado. Pelo contrário, a cada dificuldade aumenta a disposição em realizar um desfile memorável com o samba de enredo sendo cantado por toda a comunidade que arregaçou as mangas e foi ajudar no barracão. A voz de Rodrigo Vianna, que foi campeão com a Mocidade ano passado e também ganhou o Ziriguidum como Melhor Intérprete, promete ser um dos trunfos para um desfile correto.

Por Redação

Crédito da Foto: Zeca Lima

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