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Trirrienses defendem funcionamento do comércio durante isolamento

Restrições completam 60 dias e maioria da população apoia reabertura das lojas

Três Rios - (Cotidiano) - Quinta, 28 de Maio de 2020 às 07:00 horas.

Atualizado em Quarta, 27 de Maio de 2020 às 20:31 horas.

  Trirrienses defendem funcionamento do comércio durante isolamento

No último domingo (24), o comércio trirriense completou dois meses com a maioria das atividades paralisadas. Desde 24 de março, quando o prefeito Josimar Salles anunciou a adoção de medidas mais rígidas no enfrentamento à pandemia de novo coronavírus, o comércio de Três Rios tem funcionado com restrições.

Na ocasião, a administração municipal passou a proibir o funcionamento de shoppings, cinemas, academias, bares, restaurantes e do comércio em geral, com exceção de mercados, padarias, açougues, farmácias, postos de gasolina e lojas de alimentação para animais, que foram considerados atividades essenciais.

Lojas e shoppings estão sem funcionar desde o dia 24 de março (Crédito: Raí de Castro)

Uma semana antes, no dia 18 março, o Sindicato do Comércio Varejista de Três Rios (Sicomércio), havia publicado uma carta circular com orientações ao comércio, que recomendava o funcionamento de shoppings e comércio de rua em horário reduzido, das 13 horas às 18 horas, de segunda a sábado, a partir do dia posterior, 19.

Dentre as recomendações, estava ainda o funcionamento de bares, restaurantes e lanchonetes com capacidade de lotação restringida a 50% da lotação, com normalidade de entrega e retirada de alimentos no próprio estabelecimento.

Devido à divulgação da portaria 454 do Governo Federal, em 20 de março, que reconhecia o estado de transmissão comunitária do novo coronavírus em todo o país, a prefeitura de Três Rios adotou então a suspensão total de diversas atividades do comércio com o objetivo de evitar a aglomeração de pessoas na cidade.

Dias depois do início do funcionamento restrito do comércio na cidade, diversos comerciantes e clientes passaram a defender a retomada das atividades, em vista da insustentabilidade da situação. Na internet, muitos trirrienses passaram a se manifestar contra a medida da prefeitura, alegando a possibilidade de aumento no índice de desemprego na cidade e da falência de empresas do ramo comercial.

Pedido de flexibilização não foi atendido
No dia 16 de abril, o Sicomércio encaminhou um ofício ao prefeito Josimar Salles solicitando a reabertura do comércio com a adoção de medidas preventivas. No documento, o sindicato solicitava uma avaliação criteriosa para que o comércio trirriense retomasse as atividades gradativamente e relacionava uma série de ações a serem cumpridas pelos estabelecimentos, como controle de acesso e uso de equipamento de proteção individual por funcionários e clientes.

Sindicato solicitou flexibilização da restrição, mas comércio teve que permanecer fechado (Crédito: Raí de Castro)

Na mesma data, o comércio de Paraíba do Sul voltava a funcionar seguindo as exigências de segurança de um decreto municipal publicado no dia 14. A notícia acirrou ainda mais a cobrança dos trirrienses à prefeitura de Três Rios sobre a flexibilização das restrições.

No entanto, em Três Rios, Josimar Salles declarava que não podia, “de forma alguma, afrouxar as medidas [de enfrentamento à epidemia na cidade]”. A fala foi divulgada num vídeo nas redes sociais, em que o prefeito anunciou o recebimento de um documento enviado pelo Exército Brasileiro, que solicitava um levantamento de dados estatísticos referentes à quantidade de cemitérios, disponibilidade de sepulturas e capacidade de sepultamentos diários na cidade.

Maioria dos trirrienses é favorável à reabertura

De acordo com uma pesquisa feita na internet pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Três Rios em abril, mais de 70% dos votantes é favorável à reabertura do comércio em meio expediente com adoção de medidas preventivas.

O Entre-Rios Jornal foi às ruas para ouvir a população e constatou a mesma tendência: a maioria dos entrevistados apoia a flexibilização das restrições.

Para Fábio Fernandes, funcionário de uma loja no centro da cidade, “o comércio já era pra estar aberto há muito tempo”. De acordo com o comerciário, a cidade enfrenta um problema na equiparação das restrições. Fábio comenta que no centro de Três Rios, as lojas estão fechadas para conter a aglomeração, no entanto as pessoas continuam se aglomerando nos bairros: “Na feira da Vila tem muita gente junta todo domingo”, pontua.

Fábio diz que fica incomodado com a quantidade de gente circulando pela feira da Vila Isabel e pelos bares dos arredores sem inspeção. O comerciário comenta que chegou a questionar os guardas municipais sobre a ausência de fiscalização, mas os agentes disseram que não podem agir sem autorização do Ministério Público. Fábio resume: “se pode haver aglomeração nos bairros, pode haver também no comércio”.

Porfília do Nascimento também defende a reabertura. Para a idosa, as restrições ao funcionamento de algumas lojas estão afetando a vida financeira de muitos funcionários. “Muita gente está sem trabalhar porque as lojas estão fechadas. Algumas pessoas tiveram redução no salário e outras estão sem receber”, comenta. Porfília, no entanto, defende que o comércio deva funcionar em horário reduzido, pois acredita que a medida pode frear a circulação de pessoas nas ruas.

O Sicomércio também se posicionou favoravelmente à abertura das lojas. De acordo com o sindicato, no início da divulgação da pandemia pelo coronavírus, a organização entendeu como prudente e necessária a determinação do poder público para o fechamento das empresas e o isolamento social e acatou o direcionamento. No entanto, o órgão diz que “percebeu, por longos 50 dias, completados em dez de maio de 2020, que as lojas estão fechadas, mas as ruas cheias de pessoas por todos os motivos, desde os realmente necessários aos totalmente desnecessários”.

“Nós, do Sicomércio Três Rios entendemos que a reabertura das lojas, imediatamente, adotando todos os cuidados recomendados, é a receita para tentar solucionar - se ainda tempo houver - parte dos problemas da economia e que, sem interferir negativamente ou ser fator gerador de ocorrências por contágio do coronavírus, dará suporte a retomada plena da saúde dos cidadãos trirrienses e das empresas que já dão claros sinais do óbito sócio econômico que se anuncia com a permanência do comércio fechado”, diz o comunicado oficial.

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Três Rios também defende a reabertura do comércio. Segundo Leonardo de Oliveira Coelho, presidente da organização, a CDL tem se posicionado de forma favorável à flexibilização desde a implantação das medidas restritivas.

De acordo com o presidente da CDL, há uma preocupação com os desempregos registrados na cidade, que tendem a crescer com a manutenção do fechamento. Para evitar as consequência, no entanto, é necessário que a prefeitura permita que o comércio funcione em horário estratégico com adoção de ações preventivas, como o uso máscaras e álcool em gel pelos funcionários e clientes, além de operar com controle de acesso às lojas, como propõe o órgão.

Por Redação

Crédito da Foto: Raí de Castro

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